Wednesday, March 2, 2016
Friday, February 26, 2016
Thursday, February 11, 2016
A CASA
Os filhos voltam a casa.
Os pais já não estão lá
mas eles voltam à mesma
ali cresceram,
ali foram amados,
recuperam memórias
escondidas num baú
sentem no rosto
quem sabe o sopro
de algum Anjo
que por ali se atardou
na esperança de os ver,
os Anjos não abandonam
as casas mais felizes,
os filhos voltam a casa,
tempo dos pais outrora,
a casa esperou por eles
e eles voltam,
chegada a hora
( à Isabel Almasqué, depois de ler o seu post
em doma.deoutramaneira)
Monday, February 8, 2016
Haiku
Haiku do dia seguinte...
Não é fácil a ida
a travessia:
Caronte nem sempre aceita
as moedas que levamos
ao recuar
recuperamos a vida
Não é fácil a ida
a travessia:
Caronte nem sempre aceita
as moedas que levamos
ao recuar
recuperamos a vida
Friday, February 5, 2016
Se não gostam
Se não gostam,
sou simplória
na rosa
vejo uma rosa
na esfera
vejo uma esfera
não invento
uma história
sou mesmo assim
terra-a-terra
(Fevereiro, 2016)
Wednesday, January 20, 2016
MÃOS
Pego na mão envelhecida.
Por entre os dedos finos
escorre a areia do tempo:
vejo na pele,
entre as veias e as rugas,
a flôr dourada da vida...
(a Teresa Dias Coelho, 2016)
Thursday, January 7, 2016
A MENINA E A ESTRELA
Era uma vez uma menina que
vivia numa casa entre a floresta e o mar.
Ao longe via-se uma alta
montanha que parecia tocar no céu.
Um dia a menina decidiu sair
de casa e pôr-se a caminho por uma estreita ponte, muito fina, entre a floresta
e o mar.
Caminhou, caminhou, dia e
noite, noite e dia, com cuidado para não se perder na floresta, onde havia
animais perigosos e não cair no mar, onde morreria afogada.
Chegou ao sopé da montanha,
levantou a cabeça e viu que era tão alta que certamente não seria fácil chegar
lá cima, onde brilhavam as estrelas.
Mas não desistiu do seu
caminho.
Passou uma noite, dormiu ao
relento estendida no chão, passou um dia, caminhou sem comer, nem beber, e
assim foi andando.
A meio desta subida, de
muitas noites e muitos dias, a menina deixara de ser menina e passara a ser
mulher.
Mas não mudara de ideia:
chegar ao cimo da montanha, tão alta que parecia tocar no céu.
Agora havia pequenos arbustos
e ela podia comer os frutos; e entre as pedras escorriam fios de água e ela podia
matar a sede.
À noite, antes de adormecer,
deitada no chão, olhava para o céu escuro, e ia contando as estrelas.
Tanto brilho, pensava, na
minha antiga casa não havia nada disto....
Até que chegou ao cimo da
montanha.
Um pico estreito como uma
agulha, com pequenos degraus de gelo para poder subir.
Um gelo que era espelhado,
uma luz que se entrevia.
Sem medo, pois a menina agora
mulher não tinha medo de nada, foi subindo guiada por essa luz.
E já mesmo no fim dos degraus
todos, mesmo no fim, lá estava a estrela maior, que ela, de sua casa, não poderia
ver.
Esta é a minha estrela, esta
é a minha casa, é aqui que vou morar.
Nessa noite deitou-se, feliz,
sob o imenso brilho.
A menina-mulher, percorrido
tanto caminho, envelhecera sem dar por
isso.
Morreu antes de adormecer.
Y.K.Centeno
Lisboa, 7 de Janeiro, 2016
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