Tuesday, May 12, 2015

Nomes



Vão atrás do teu nome,
(agora que o escrevi)
fantasmas curiosos
que seguem ou recusam
o teu verbo severo
porque não o entendem:
não adivinham qual foi
o movimento
o pensamento
a ideia-força
guiando a mão
devolvendo às palavras 
novo sopro

as palavras secavam
no seu corpo
era um corpo sem osso
já o dizias tu
no teu poema
um descarnado corpo
abandonado
nos vales da memória
nos regatos

um choro de criança

abutres espreitando
quando seria a hora

Sunday, March 1, 2015




AMENDOEIRAS

Passa tão depressa

esse tempo
das amendoeiras floridas

dos amigos
das amigas

das súbitas paixões
das despedidas...




Saturday, January 17, 2015




Álvaro Zuñiga
neste dia 17 de Janeiro


Álvaro, meu amigo,
sinto a falta do teu riso...
Inventavas a invenção
e bastava estar contigo!

Thursday, January 1, 2015

RelerAlberto Caeiro

Repousante seria
ler Caeiro, o pastor,
a seguir ao almoço
hora boa da sesta
e em boa companhia.

Campos não serviria
por demais explosivo
por demais excessivo
lógico-cansativo.

Caeiro seria a escolha.
Ele que apelidaram de Mestre
e não queria ser Mestre de ninguém...

Fingia apascentar ovelhas:
um rebanho feito de pensamentos
que ele, senhor de si e do mundo,
devagar dissolvia numa paisagem
clara e por si antes desfeita.

Ele afinal nada era
ele afinal nem sequer
o que  sabia
queria...

Saber grave,
perigoso,
num rebanho consentido
em alma já rarefeita...

Errou quem lhe chamou Mestre
e nele tentou ver Mestria.





Wednesday, December 31, 2014

Passagem de Ano



Passagem de Ano
2014 - 2015

Passou demasiado tempo.

Se me distraio 
deixo de ser.

Penso no que escrever.

Mas como Álvaro de Campos 
se penso demais
não escrevo


Saturday, October 25, 2014



AGORA
(para os Sem-Abrigo de Lisboa)

Agora
só ao poente
na luz filtrada
de rosa
que é a nossa
nesta cidade
acesa
onde as palavras
voam
pelas ruas
as casas
os telhados

palavras-pássaro
palavras-vento

e agora
sempre ao poente
palavras-medo

(25 de Outubro de 2014)

Friday, September 19, 2014



A Árvore dos Cães

Estão escondidos na copa 
da árvore das almas:
são cães de guarda,
espreitam os sonhos
das noites mais negras
das noites mais calmas

 (19 Setembro 2014)