Saturday, July 20, 2013
Damas da Noite
Um perfume
que atrai:
são as Damas da Noite
no seu jardim perfeito
em que os pássaros dormem
e as águas ainda correm
no seu leito de pedras
e de estrelas
Um vagabundo passa
como sombra esquecida:
o portão não se abre
a mão não é estendida
Outro dia virá
e outra noite:
junto às Damas da Noite
se esvairá a vida
Thursday, July 18, 2013
Ainda os Velhos
Ainda os Velhos
Não adianta
ainda nos vermos
ao espelho:
a velhice
já nos tornou
invisíveis.
Aprendemos
as lições
do ser
e do não ser
o deixar de existir.
Monday, July 15, 2013
Monday, June 24, 2013
Thursday, June 13, 2013
Sintomas
SINTOMAS (para um novo romance?)
Não terá certamente influência, mas sempre tomo nota: é dia 13 de Junho de 2013.
Evoca-se Fernando Pessoa, tinha de ser: nas ruas, nas festas populares, nas livrarias, nos canais (alguns) de televisão.
Muita cultura? Pouca vida sentida, pouca vida vivida.
Entro num café. Em frente ao balcão, onde vou pedir um leite com chocolate da UCAL ( para o que me havia de dar...) uma senhora de idade.
Digo uma senhora de idade, mas deve ser da minha idade. Podia ser eu.
Hesita, olhando para os bolos e os salgados, enquanto a jovem que está a atendê-la, aguarda, amável, com um sorriso. A senhora hesita porque lhe fugiu de repente da memória o nome do salgado, sim era um salgdo, que queria pedir.
Foi apontando com um dedo, a menina ajudava:
- Um rissol? Estes são de camarão, este de leitão.
-Há rissóis de leitão? inquiriu a senhora, enquanto tentava recordar o nome do salgadinho escuro, triangular, mais ao fundo da travessa.
-Há sim, há de leitão. É o que quer?
-Não, não...é em triângulo, um picante...
-Se calhar é um bolo? um palmier?
-Não, não é bolo.
A senhora apontou com o dedo o triângulo picante, escurinho, que na verdade se via mal, quase debaixo dos rissóis. É aquele.
-Ah, exclamou a jovem, aliviada, não fosse a senhora ir embora e o patrão zangar-se com ela. Isso é uma chamussa. É muito picante, tem a certeza?
-Tenho, tenho.
A senhora também respirou de alívio.
Acontecia-lhe agora com mais frequência escapar-lhe um nome, de pessoa ou de objecto, ou como ali, de comida, no preciso momento em que era preciso nomear.
Indicar seria fácil, mas nomear estava a tornar-se difícil e aborrecido.
Agradeceu: obrigada, menina.
-Pode ir para a mesa, que já levo.
A senhora agradeceu de novo e foi sentar-se.
Eu bebi o meu chocolate ali mesmo, de pé.
Já me tinha acontecido o mesmo. Precisar de um nome e ele desaparecer.
Ao computador dava erros de dislexia.
Mas havia pior: não saber que comprimidos tinha tomado, e quantos.
Esquecer de imediato a conversa que tinha tido.Não o sentido geral, mas a razão da conversa, ou o seu início, coisas assim.
Na hora de pagar, tinha uma nota de vinte euros no bolso, paguei e fiquei à espera do troco.
Olhei para a senhora. Tinha comido a sua chamussa, sem beber nada, nem um copito de vinho branco, nem sequer um café.
Estive quase quase a meter conversa com ela.
O que agora me espanta, é que no acto de escrever esta pequena nota, não é sobre a dificuldade dela que estou a pensar, mas sim em como se escreve a palavra chamussa: com os dois ss que utilizei ou com o ç de cedilha, como se costuma dizer.
Preciso de um dicionário!
Thursday, April 25, 2013
OS ANJOS SÃO TERRÍVEIS
Os Anjos São Terríveis
Os Anjos são terríveis:
de vez em quando surge um
que se destaca
e crava as suas garras de luz
no peito desprevenido
Contempla a suave curva
do dia
na ferida rasgada
Afasta-se:
viu a treva formar-se
e ao longe não ouve o grito
Os Anjos são terríveis:
não falam
não dizem nada
25 de Abril, 2013
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