Saturday, August 13, 2011

Luar de Agosto

A paz do sol da noite
é a paz concedida...

Friday, August 5, 2011

Mais Poesia

Para os amantes de poesia, e que desejam o risco de escrever, que é como um risco de vida, para quem escreve, aqui deixo um poema que deve ser lido e relido, em voz alta, em voz baixa, com amor:
Sintonia para pressa e presságio
de Paulo Leminski

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.
Soo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.


Nos últimos três versos temos a chave do poema e da criação poética: O Verbo, o deus da Inspiração que faz do Verbo um Dizer poético, com a luz que se acende, não na casa, não na sala -mas na alma.
É da alma que fala a poesia!

Tuesday, June 28, 2011

Pensando, Escrevendo, Pensando...

Porquê

Antigamente era frequente ouvir uma criança perguntar porquê repetidas vezes, ainda que se desse uma resposta; à resposta dada era exigido outro porquê, outra resposta e assim sucessivamente, para cansaço do adulto que ia respondendo, até que por fim já farto dizia porque sim e acabava a litania de perguntas e respostas.
Hoje a criança não se dirige ao adulto para perguntar, dirige-se aos botões para logo, sem perguntar, obter alguma resposta, mais rápida e mais interessante; faz isso com um ano de idade ou pouco mais, vejo-o por um dos meus netos: todos os botões, dos comandos de televisão aos dos jogos da psp, do iphone ou do computador. As respostas são dadas pelas imagens, e o maravilhamento é total. Na cozinha, onde estão proibidos de entrar, é o fogão ou o micro-ondas que desperta a curiosidade.
Mas a interrogação, o porquê, lá permanece à mesma.
Falei de crianças, mas poderia (deveria) falar de adultos. Da nossa capacidade de interrogação, de manter activos os comandos interiores dos porquês: da nossa vida, da vida que nos rodeia. No nosso caso talvez o excesso de respostas (ainda que falsas) aliado à velocidade com que são dadas, não permitindo uma elaboração mais integrada, prejudica a necessidade interior de outrora, de perguntar, de perguntar sempre. Ainda não se fez a pergunta e a resposta, uma qualquer resposta, aí está disponível, pronta a ser consumida e se necessário logo depois a ser deitada fora e substituída por outra, igualmente veloz e disponível.
Vivemos pois entre respostas que se foram substituindo ao perguntar mais insistente.
Um sonho que apontei mostrava-me o postal enviado por um amigo alemão. Reconheci a sua letra, aberta e generosa, de bom amigo.
Começava com esta pergunta, escrita em português, que ele fala bem (também é um bom amigo de Portugal) : Porquê ?
Este porquê prendeu-me a atenção, durante dias, até que decidi apontar o sonho.
E continuo a pensar no sentido profundo desta palavra que é interrogação.
A interrogação tem a ver com a consciência, a consciência de si, o conhecimento ou reconhecimento. No caso de um sonho, sendo a linguagem dos sonhos simbólica, este porquê aponta para algo mais do que a consciência, talvez antes o reconhecimento da necessidade do interrogar, a interrogação mais do que qualquer resposta.
Encontro nas Alices de Lewis Carroll – a do “País das Maravilhas” e a do “Através do Espelho” vários porquês, todos interessantes pelo momento em que surgem, pelo fascínio das personagens que lhes dão voz, pela perplexidade que causam, levando a novos porquês (novas interrogações).
Apercebo-me de que não interessa a resposta e ninguém em verdade espera por ela. O importante era a interrogação, e a consequente perplexidade causada.
É essa a função da pergunta: fazer pensar, e não obter uma resposta imediata, como se julga. Tinha razão a criança de outrora, ao não aceitar as respostas, umas atrás das outras, na pergunta residia o interesse, daí a repetição, a insistência…
Para este sonho que contei, também é preciso uma “pequena chave de ouro”, como a de Alice, que se esqueceu dela em cima da mesa ao diminuir de tamanho, não podendo assim entrar logo no jardim que tinha avistado pela porta mais pequena. Entrámos noutro mundo, noutra esfera, em que é preciso diminuir, para depois aumentar e continuar na aventura – uma aventura cheia de contradições, como nos sonhos, e que pelas contradições se resolvem. Um mundo de outra lógica e que de outra maneira tem de ser abordado.
“Quem diabo sou eu? Ah, esse é o grande enigma! “(p.22). Este é o capítulo II, em que surgem variadíssimos animais, revelando a Alice um outro mundo, que não responde logo à sua interrogação: na verdade, e Carroll sabia isso, só cada um por si pode responder às próprias interrogações!
Alice está no lago de lágrimas a conversar com o Rato, que lhe diz que primeiro têm de sair dali, depois ele contará a sua história:
“ Já não era sem tempo de fugiram dali, porque o lago estava a ficar apinhado de pássaros e animais que nele tinham caído: havia um Pato e um Dodó, uma Arara e uma pequena Águia, e várias outras estranhas criaturas. Alice pôs-se à frente deles e nadaram todos para terra firme”(p.29).
Simplifico: depois de uma figuração do que poderia ser uma descida ao inconsciente, ao mundo dos sonhos (Alice adormecera junto à árvore onde a irmã lhe lia um conto) assistimos a um conjunto de situações todas elas indicadoras de processos de transformação (os alquimista diriam de sublimação) desde as pulsões do negro da alma, os instintos, simbolizados pelos inúmeros animais de que a águia, ainda que pequena, é a mais espritual representante, até ao não menos provocante jogo com os 4 elementos: terra e água, para começar, enquanto não se alude ao fogo e ao ar, que virão adiante.
Mas não esqueço o meu fio conditor, da interrogação.
E é pela personagem da Lagarta que a interrogação melhor se manifesta:
“- Quem és tu?- perguntou” , a lagarta a Alice (p.49).
Neste diálogo assistimos à litania de perguntas que a cada resposta se sucedem, não aceitando o que é dado como explicação.
A Lagarta insiste: “Quem és tu? “ (p.50). E depois dá-lhe então o conselho que a fará aumentar novamente de tamanho; desta vez não come um bolo, mas um cogumelo e cresce ao ponto de ficar mais alta do que uma árvore, com a cabeça lá no alto a tocar o céu (entrou o elemento ar).
O interrogatório continua, pela voz de uma Pomba, que ela assustou tirando-a do ninho. A pomba, que a julgara serpente, pergunta “Bem !O que é que tu és? “ (p.56). E a resposta, de que Alice era uma menina, não a deixa satisfeita, como seria de esperar. Pois não se trata aqui de respostas, mas de perguntas, como já disse…
A pergunta agora não é quem, mas o que.
E ambas difíceis, no contexto do conto, como no de nós próprios e das nossas vidas e do mundo que nos rodeia, em permanente mutação.
Na verdade, se soubessemos o quem e o que – teríamos a resposta ao porquê com que comecei esta reflexão.
O porquê, enviado por carta oriunda da Alemanha - país da Alma, como alguém lhe chamou, contrapondo-o a França, país da Razão – terá que ver com as razões da alma, do seu esquecimento, talvez, numa altura em que preocupações do quotidiano familiar, social, politico, me afastam da escrita – meu caminhar interior.
Nesse meu caminhar, onde o tempo se torna espaço (como diz Gurnemanz a Parsifal, na obra de Wagner, falando do reino do Graal) – espaço de transformação da palavra ausente mas sempre desejada, descobrirei talvez o quem, o que e por fim o porquê!

Sunday, May 1, 2011

Versos

Muitas vezes é no primeiro verso de um poema, ou no último, ou em ambos que iremos encontrar alguma indicação especial, pedindo mais reflexão.
Aconteceu-me reparar nisso ao reler ultimamente o poema de Rilke sobre o mito de Orfeu e Eurídice.
" Era a mina estranha onde se encontram as almas" - eis o verso inicial.
Deste modo, aparentemente apenas descritivo de um lugar, evoca Rilke Platão, o diálogo de Fédon, em que se fala da caverna das almas, neste sentido de "essências" de ser, de formas puras de que as formas reais seriam apenas sombras (sombras de uma realidade superior, inatingível).
A mina- uma caverna platónica- é estranha exactamente por isso: por ser anterior aos seres tal qual os conhecemos.
Orfeu e Eurídice ainda lá se encontram, ainda não têm existência real, não são ainda as formas de que o mito tradicional nos fala.
Rilke coloca-nos numa outra esfera, de anterioridade. Diverge, sem que nos apercebamos logo desse facto, da realidade do mito.
Orfeu e Eurídice, ainda não são e em breve já não poderão vir a ser , tal como se julgava outrora, quando os mitos eram realidades vividas.
E podemos então meditar sobre o último verso, com que o poema termina:
"Quem?"
pergunta Eurídice, perdida toda a memória de um Orfeu que ainda não tinha sido e não seria mais.
Entre o não-ser-ainda da caverna das almas e o já-não-ser da memória perdida se estrutura um poema que podemos ler e reler, descobrindo de cada vez mais um fragmento do seu mistério envolvente.

Saturday, April 23, 2011

Teresa Horta


Num romance podemos encontrar matéria que fascine, tanto no tema, como no enredo, como ainda na estrutura que um autor, neste caso uma autora, Teresa Horta, concebe para dar forma e sentido ao que pretende escrever.
No seu romance A Paixão Segundo Constança H. Teresa Horta inspirou-se, para o título, no célebre romance de Clarice Lispector, A Paixão Segundo G.H.
Recordo, quando o li, como aquele exercício de escrita minuciosa (estávamos em plena época do nouveau roman) me impressionou a ponto de quase me incomodar. A neurose de uma mulher, presa em si mesma como na mais negra das prisões, era o fio kafkiano condutor da escrita tensa e intensa de Clarice. Neste romance já ela estava longe dos primeiros que li,A Maçã no Escuro e Perto do Coração Selvagem. Nessa altura Joyce era para nós, jovens, o grande modelo de reinvenção da linguagem. Mas escritoras como Agustina Bessa Luís, entre nós, e Clarice Lispector, no Brasil inventavam novos caminhos que eram para nós leituras de descoberta.
Em A Paixão Segundo G.H. Clarice já tinha reinventado o que tinha sido o seu mundo e chegara a hora de simplesmente o destruir, como iria fazer com a barata que ocupa uma grande parte da narrativa em que a observa, já impotente e condenada - como ela se via a si mesma.
No Brasil , Teresa Horta, leitora amiga de Clarice, pede autorização para se servir de um título que a tinha seduzido.
E assim nasce A Paixão Segundo Constança H. de trama intensa, romance de amor negro como os mais negros da literatura fantástica romântica.Já a escolha das epígrafes, de Marguerite Duras, e sobretudo de Clarice Lispector, dão uma primeira indicação de leitura:
"...estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender.Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra?" (A paixão segundo G.H.)
E começam então, a abrir cada capítulo, os apontamentos que são estruturantes a tal ponto que sem eles o verdadeiro sentido da história que se conta se perderia talvez não por completo, mas em grande parte.
E aqui está uma inovação na arte de narrar.
Percebemos, por essas notas à margem, que o não são, ( como as célebres notas da almofada de Julián Ríos em Larva, por sua vez bebidas em Sei Shonagon, romancista japonesa do século XII) que nos vai ser contada a descida aos infernos de uma mulher em vias de enlouquecer e que está a ser tratada, com comprimidos, injecções, que não ajudavam a que recuperasse a sua consciência dum tempo e dum espaço cada vez mais estranhos. "começava a misturar tudo?".
Traída pelo marido que ama apaixonadamente descreve como os sentimentos se alteram, como o amor cede o lugar ao ódio e como esse ódio, afinal bem mais forte do que o amor, se enraíza, cresce dentro dela e a alimenta.
Sucedem-se as cruas cenas do suicídio ( que seria afinal assassínio) e da morte da amante, e são introduzidos no discurso-percurso romanesco os extractos do diário de Constança H.
Pelas notas continuamos a acompanhar, do mesmo modo, as idas à psicanalista, e por elas vemos como a loucura progride, como se aproxima o abismo temível e temido.
Também surgem poemas, que na sua condensação de linguagem dizem mais, às vezes, do que as páginas que se lhes seguem:
"É aqui, que a febre
da loucura
aumenta

Que o grito se contém
mas nunca se contenta"

Os tempos oscilam, cruzando passado e presente, e anunciando um futuro que já sabemos ser trágico - foi dito logo de início. Mas algo mais se exprime, para além da tragédia, ou apesar dela, ou mesmo contra ela: a dôr da condição feminina. A dôr de não ser incluída, ainda que vivendo a vida.
É possível morrer de amor? A resposta neste romance é : sim; e é possível matar:
matar por excesso de amor ( já a trágica Medeia passara por experiência igual).
Adiante na narrativa, será mais uma vez no diário de Constança que mais uma chave é dada quanto ao seu sofrimento, num poema de amor:

MORRER DE AMOR
Morrer de amor
ao pé da tua
boca

Desfalecer à pele
do sorriso

Sufocar de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso
(p.249)

História de uma vida que carregava a maldição do desejo incontido, do amor sensual, do ódio que amarfanha e ao mesmo tempo endurece, esta é uma obra complexa, que obriga a uma leitura atenta: pois muito se conta e muito fica por contar, nesta espécie de devoração da alma. Uma alma que só mesmo a loucura poderia libertar.
Falei um pouco do enredo, mas quero chamar a atenção para a originalidade cuidada e intensa da estrutura. Quase sempre o enigma é concentrado na estrutura!Clarice Lispector, num reflexão sobre a Escrita, diz:
"Todo o homem tem sina obscura de pensamento que pode ser o de um crepúsculo e pode ser uma aurora".E ainda: " Sempre quis atingir através da palavra alguma coisa que transmitisse (...) a verdade mais profunda existente no ser humano e nas coisas.Cada vez mais eu escrevo com menos palavras".
Mas não nos enganemos, diz no seu romance Teresa Horta: nem tudo é poente ou aurora, nem tudo é silêncio adquirido.Há sangue na palavra. Há uma carne rasgada.Um corpo que a alma atravessou : o corpo de quem escreve.

Friday, April 22, 2011

O Centro: Orfeu. Eurídice. Hermes


Num célebre poema de Rainer Maria Rilke, inspirado nos hinos órficos da Grécia antiga, podemos acompanhar Orfeu e Eurídice, guiados pelo deus Hermes, caminhando nas trevas, procurando a luz da vida que Orfeu quer devolver à sua amada.
A viagem de Orfeu começou por uma descida ao Centro, à caverna profunda onde as almas se formam e onde, depois da morte, de novo são acolhidas.
Exterior ao tempo, no Centro não se guarda a memória: nem do que se foi nem do que se virá a ser. O Centro é devorador.
Atravessou-se primeiro o rio Lethes, precisamente aquele em que toda a memória se dissolve.
E ao emergir, como quem nasce, ou renasce, a vida que se inicia é como a página em branco que aguarda a mão perplexa do poeta com os seus primeiros versos.
Os versos são, como no longo poema-travessia de Rilke, apenas uma interrogação.
Eurídice, que não chega a abrir os olhos (nada vê, nada sabe, nada sente) não sai do sono profundo da interrogação: Quem? diz ela, e volta para trás, regressa ao Centro de onde nunca tinha saído.
Era ilusão de Orfeu, no seu caminho, confundir a sombra com a forma, o desejo com uma realidade em que a vida deixara de pulsar.
Meditemos sobre o Centro: " a mina estranha onde se encontram as almas".
Um Centro como um buraco negro, atravessado por finos fios de prata : fios de vida.
E dentro dos fios um sangue espesso correndo: a púrpura da vida.
Orfeu, com a sua lira, a Amada fechada em si, como um botão de rosa, ambos a caminhar e entre eles Hermes, o Guia.
Um Guia que não conduz, pois não indica o caminho, não faz sequer um gesto amigo que acalme a ansiedade que cresce, a dúvida que se instala, buraco no coração do poeta.
Tranquila, ainda envolta nos panos do seu primeiro sono, Eurídice caminha sobre o vazio imenso que nenhum medo perturba.
Hermes lançará então o grito aterrador: "olha! ele voltou-se!"
Orfeu cairá nesse vazio.
Eurídice exclama apenas: Quem?
E Hermes, o do caduceu dourado, nada responderá.
Não há respostas no Centro, apenas anulação.

Em Paul Celan encontraremos uma ainda mais dolorosa meditação do Abismo. Talvez porque ele não interrogue procurando resposta, mas simplesmente afirme e confirme a sua existência de absoluto Vazio, absoluto Sem-Fundo, como já o definiam os místicos alemães, os teósofos como Boehme, entre outros.
Num dos seus últimos poemas (Celan suicida-se em 1970, em Paris) encontramos estas imagens:
Projectado
na via de esmeralda
buraco de larva, buraco de estrela,
com todas as quilhas
procuro-te
Sem-fundo

A via de esmeralda será a da Tábua de Esmeralda dos antigos alquimistas: uma via de salvação, na medida em que nela se reflectem o Uno e o Todo do universo criado. A travessia será contudo parecida com a de Orfeu na sua treva imensa:
buraco de larva, buraco de estrela, isto é, um Centro (como era no poema de Rilke a mina das almas) de onde as formas partiam e onde acabariam igualmente por chegar, na sua última (de)composição.
Nas imagens da larva e da estrela encontramos o segredo de uma transformação, ou transmutação desejada: na larva a essência não manifestada, na estrela ( podia ser borboleta, como em Alice no País das Maravilhas) o fulgôr da manifestação, do acabamento perfeito de toda a pulsão oculta.
A referência às quilhas remete-nos para o belo poema de Rimbaud, Le Bâteau Ivre , que foi marco de toda a poesia modernista (Álvaro de Campos entre nós, e Celan, que o traduziu).
Rimbaud explode como um barco que embate e se afunda, no seu poema, como se afundará na sua vida.
Celan, demasiado contido, não explode, mas inquire e sofre, pois não encontrará o que procura: uma resposta para o silêncio de Deus perante o seu povo perseguido.
Este Sem-Fundo é um eterno Nada, e o que podemos concluir é que no homem reside o Centro, em si e não fora de si, nalgum outro lugar que se conceba. No homem reside o princípio e o fim, o homem é o meio,por ele passa a linha que os atravessa, os separa e os une.
São paradoxais as realidades da alma, os poetas dão voz a essas realidades. E citando Celan é "descendo mais fundo" que o homem se liberta.